A construção civil segue entre os setores com os maiores índices de acidentes de trabalho no Brasil, e os números mais recentes acendem um alerta para toda a categoria. Segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego, o país registrou 806.011 acidentes de trabalho e 3.644 óbitos no último ano da série histórica, o maior número já contabilizado. O transporte rodoviário de carga lidera em mortes absolutas, mas as obras de montagem industrial apresentam a maior taxa de incidência, evidenciando o quanto o setor da construção pesada, que inclui rodovias, pavimentação e terraplenagem, está exposto a riscos graves.
Os dados também mostram que os estados do Sul e Sudeste concentram a maior parte das ocorrências: Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro juntos respondem por 68% de todos os acidentes registrados e 62% dos óbitos no país. Ou seja, a região onde atuam os trabalhadores representados pelo SITICEPOT está diretamente no epicentro desse problema.
Rodovias entre as atividades mais perigosas do setor
Estudos acadêmicos sobre segurança do trabalho confirmam o que a categoria já sabe na prática: a construção de rodovias e ferrovias está entre as classes de atividade com maior incidência de acidentes dentro da construção civil, ao lado de obras de geração e distribuição de energia e da incorporação de empreendimentos imobiliários. As causas mais recorrentes seguem sendo quedas em altura, soterramento, choque elétrico e acidentes com máquinas e equipamentos pesados, riscos presentes no dia a dia de quem trabalha na pavimentação e na terraplenagem.
Especialistas em segurança do trabalho reforçam que grande parte desses acidentes poderia ser evitada com medidas simples, mas consistentes: planejamento adequado da obra, treinamentos periódicos, uso correto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e manutenção preventiva de máquinas e equipamentos. O Diálogo Diário de Segurança (DDS), realizado no início de cada jornada, também é apontado como ferramenta fundamental para identificar riscos antes que se tornem acidentes.
NR-1 entra em vigor com fiscalização punitiva e amplia obrigações das empresas
Um marco importante para a segurança da categoria em 2026 é a nova redação da NR-1, norma que trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A atualização, prevista na Portaria MTE nº 1.419/2024, entrou em vigor em 26 de maio de 2026 e passou a valer com fiscalização de caráter punitivo, encerrando o período apenas educativo que vigorou desde 2025.
Entre as principais mudanças, as empresas construtoras agora são obrigadas a incluir no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) não apenas os riscos físicos, mecânicos e ambientais já previstos em normas como a NR-18, mas também os riscos psicossociais: estresse ocupacional, sobrecarga de trabalho, assédio moral e burnout. As construtoras precisam mapear esses riscos, registrar formalmente no PGR, criar canais de relato para os trabalhadores e incluir o tema no próprio Diálogo Diário de Segurança.
A mudança reconhece uma realidade que a categoria vive diariamente: jornadas longas, esforço físico intenso, alta rotatividade e pressão constante por prazos são fatores que afetam tanto a saúde física quanto a mental de quem trabalha em obras de pavimentação e terraplenagem. Agora, esses fatores precisam ser gerenciados com o mesmo rigor já aplicado aos riscos físicos, e o descumprimento pode gerar autuações e responsabilização jurídica das empresas.
O papel do sindicato na fiscalização e na defesa da categoria
Diante desse cenário, o SITICEPOT reforça seu papel de vigilância permanente pelas condições de segurança nos canteiros de obras. É direito de todo trabalhador da categoria receber e utilizar corretamente os EPIs, participar dos treinamentos de segurança oferecidos pela empresa e ser informado sobre os riscos da função que exerce, incluindo os riscos psicossociais agora previstos na NR-1.
Trabalhador que identificar irregularidades quanto às condições de segurança, falta de equipamentos de proteção ou ausência de treinamentos deve procurar o sindicato. A fiscalização e a cobrança junto às empresas são parte do trabalho constante do SITICEPOT em defesa da vida e da saúde de quem constrói as estradas do Rio Grande do Sul.
Fortaleça a sua categoria, contribua para o seu sindicato, ele só depende de você!
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